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Leitura de cultura
Quando o óbvio precisa de tradução
Certa vez, num projeto internacional conduzido em parceria com pesquisadores franceses, o nome do produto testado tinha uma conotação sexual bastante evidente para qualquer brasileiro. Levantei o ponto logo de início. Era impossível não levantar. Durante os grupos, o tema aparecia, não de imediato, mas aparecia. Os franceses, no entanto, começaram a questionar a relevância do problema. Para eles, uma reação válida seria imediata. O que, na prática, dizia mais sobre como um fr

Mariana Fernandes
há 5 dias2 min de leitura
Teias que a gente não vê
Estava num cruzeiro, na sauna, quando uma mulher entrou pelada. Fiquei desconcertada. Ela, provavelmente, achou estranho eu estar de biquíni. Nenhuma das duas estava errada. Estávamos só presas em teias diferentes. O antropólogo estadunidense Clifford Geertz definiu cultura exatamente assim: teias de significado que o próprio ser humano tece e nas quais fica amarrado. É uma descrição bastante precisa do que acontece nesses momentos de estranhamento mútuo. No norte da Europa,

Mariana Fernandes
há 5 dias2 min de leitura
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